A Nave Mais Elegante da Ficção



O que seria da ficção científica sem as espaçonaves? Obras de arte da engenharia, imaginadas por escritores, designers e produtores desde as mais simples como o projétil descrito por Júlio Verne em “Viagem ao Redor da Lua” até os imponentes Super Star Destroyers do Império em Star Wars.

Em alguns casos, os veículos atingem o nível de personagens, como é o caso da USS Enterprise, de Jornada nas Estrelas. É impossível falar de Jornada nas Estrelas e não mencionar a Enterprise, a nave ocupada pelo Capitão Kirk e sua tripulação que percorre a galáxia “encontrando novos mundos, pesquisando novas formas de vida...”

USS Enterprise - NCC1701

Conheci a série original na infância, tinha por volta de nove ou dez anos. Na época estudava no período da tarde, as aulas terminavam por volta das cinco e meia. Assim que terminava a aula corria pra casa para assistir as aventuras de Kirk, Spock e McCoy que eram exibidas na Band e que começava exatamente no mesmo horário em que a aula terminava. Disse que corria para casa, por que eu voltava a pé e sozinho da escola, uma das vantagens de se viver no interior.

O que mais me chamou a atenção na série foi a nave. Seu formato era muito diferente das naves que havia visto até então. Em sua maioria possuíam formatos ogivais ou de disco voador. E a Enterprise de Kirk e companhia misturava essas formas básicas de uma maneira única. Sempre achei ela muito elegante. Foi nessa época que comecei a fazer miniaturas da “nave do Jornada Nas Estrelas” como dizia minha mãe.

Como kits plásticos estavam fora de questão para um orçamento apertado de pais que precisavam sustentar cinco bocas insaciáveis em plenos anos 80, tive que me virar com o que tinha. E o que tinha era imaginação e as embalagens vazias de sabão em pó, caixas de sapato e qualquer outra fonte de papel cartão que pudesse achar. Isso meio que criou uma relação especial entre mim e aquela nave que embalou horas de trabalho enquanto eu montava réplicas rudimentares dela.

O Criador


Matt Jeffreries
O design original da Enterprise foi criação de Walter “Matt” Jefferies, diretor de arte da série. Filho de um Engenheiro Chefe de uma Usina de Energia e ex tripulante de bombardeiros na Segunda guerra, Matt foi o responsável pelo design de cenários dos interiores, incluindo a ponte de comando, e do exterior da nave. Ele baseou a ponte na sala de controle central da Marinha americana, em San Diego.

Como ele era muito detalhista na criação de seus desenhos, Jefferies raciocinou que, para desenvolver a velocidade de dobra, os motores da nave precisariam criar uma enorme quantidade de energia e, por isso, seria perigoso ter esses equipamentos incorporados ao casco da nave. Caso houvesse algum problema eles poderiam ejetar os motores a fim de salvar a tripulação. A solução que Matt encontrou, depois muitas horas de conversas com Gene Rodenberry, criador da série, foi colocar os motores em naceles presas a um casco secundário onde o disco seria fixado por uma estrutura que se parecia com o pescoço de um ganso. Nascia, então, a USS Enterprise NCC1701, clássica.

Design Original da Enterprise


Em Jornada nas Estrelas – A Nova geração, o seu desenho original para a Enterprise, com uma esfera no lugar do disco, serviu de referência para a criação da Classe Olimpic, a USS Pasteur, uma nave hospital.

USS Pasteur


Matt Jeferries ainda cuidou do design dos cruzadores D7 Klingon e do logo do império inimigo da Federação dos Planetas Unidos. O diretor de arte trabalhou na produção da série em todas as três temporadas mas, não voltou a trabalhar na franquia quando ela migrou para os cinemas em 1979 e nem nas produções seguintes. Faleceu em 2003, em decorrência de problemas cardíacos, aos 87 anos. Mas todos os profissionais que o substituíram nas subsequentes encarnações de Jornada nas Estrelas o reverenciam como uma lenda.

Cruzador D7








Mas a nave da série clássica não é a única Enterprise em Jornada nas Estrelas, O modelo passou por mudanças no decorrer das décadas e, na cronologia das séries, as novas espaçonaves recebiam uma letra para diferenciar um modelo do outro.

Enterprise B e C

Excelsior e EnterpriseB: irmãs gêmeas
Com a chegada de Jornada nas Estrelas aos cinemas, a Enterprise recebeu uma recauchutada, foi mais uma atualização do visual, ela ganhou linhas diagonais e tinha menos luzes piscando. Uma Versão B foi mostrada rapidamente no filme Star Trek Generations, mas ela mais parecia um clone da Excelcior. A Versão “C” aparece no episódio Yesterday´s Enterprise onde esta trava uma violenta batalha com aves de guerra romulanas.

Enterprise C

A Odiada Versão D


Calma! Não estou dizendo que essa versão da nave é odiada pelos fãs da série. Ela foi odiada por mim! Como todo adolescente, era muito apegado a meus conceitos, só ouvia um tipo de música porque o resto "não prestava", essas coisas.



E como disse no começo desse artigo, eu tinha uma relação de afeto pelo modelo clássico. Não me incomodei muito com as mudanças na nave para o filme de 79, mas a nave da Nova Geração rompia totalmente com as linhas angulares da versão clássica e, por isso, não me agradava, achava esquisita, desproporcional. Com o tempo me acostumei ao seu desenho e hoje não me incomoda tanto.

Essa versão encontrou seu fim no filme Generations onde, devido a severas avarias, teve que fazer um pouso de emergência.

Enterprise E


A maior e mais poderosa Enterprise até agora. Apareceu em First Contact e foi a nave de Picard até Nêmesis, o último filme em que essa linha temporal é mostrada.

Enterprise E

Logo depois houve o controverso reboot da cronologia e o design clássico foi retomado com algumas alterações para deixar a boa e velha USS Enterprise com cara de nova. Em Star Trek - Beyond a nave foi totalmente destruída. Mas, essa não foi a primeira vez que a Enterprise se foi. E, como as outras ocasiões nos mostraram, podemos ter certeza de que, sempre haverá uma USS Enterprise em Jornada nas Estrelas.
A Nave Mais Elegante da Ficção A Nave Mais Elegante da Ficção Reviewed by Tulio Roberto on 19 junho Rating: 5

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